25/11/2025
Adriel Pozzan

IFRS 18: As Principais Mudanças na Demonstração do Resultado do Exercício a partir de 2027

O IFRS 18 – Apresentação e Divulgação das Demonstrações Financeiras, emitido em abril de 2024 pelo IASB, representa uma das mudanças mais profundas dos últimos anos nos relatórios contábeis. A norma substituirá a IAS 1 a partir de 1º de janeiro de 2027 e, portanto, mudará significativamente a forma como empresas apresentam sua Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

Por que se preparar antes de 2027?

Embora a obrigatoriedade seja apenas em 2027, as empresas precisam iniciar os ajustes já em 2026, pois as demonstrações são comparativas. Dessa forma, será necessário apresentar períodos anteriores ajustados para manter a confiabilidade das informações.

Consequentemente, muitas organizações terão de:

  • atualizar planos de contas
  • revisar sistemas contábeis
  • treinar equipes
  • rever indicadores de desempenho

Além disso, mudanças dessa magnitude podem impactar processos operacionais e rotinas diárias, exigindo adaptação estruturada e antecipada.

O que muda com o IFRS 18?

O IFRS 18 foi criado com o objetivo de aumentar a comparabilidade e a transparência das demonstrações financeiras. Assim, investidores, analistas e usuários passam a visualizar com mais clareza o desempenho operacional das empresas, separando o que é realmente atividade principal daquilo que é efeito financeiro, tributário ou extraordinário.

Três novos subtotais obrigatórios

Uma das novidades mais importantes é a obrigatoriedade de três subtotais padronizados na DRE:

  1. Resultado Operacional
  2. Resultado Antes de Financiamento e Impostos
  3. Resultado Líquido

Dessa forma, a apresentação passa a ser mais padronizada, o que reduz interpretações subjetivas e facilita a comparação entre empresas de diferentes setores. Além disso, o conceito de resultado operacional passa a estar claramente vinculado à atividade principal da companhia.

Nova classificação das receitas e despesas

O IFRS 18 também determina que as receitas e despesas devem ser distribuídas em cinco categorias, de forma semelhante à estrutura da Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC). São elas:

Operacional

Engloba todos os resultados diretamente ligados à atividade principal da empresa. Por exemplo, em uma revenda agrícola, entram nessa categoria:

  • receita de vendas
  • CMV
  • despesas de vendas
  • despesas administrativas

Além disso, receitas e despesas que não se enquadrem em nenhuma das demais categorias também devem ser alocadas aqui.

Investimentos

Inclui resultados derivados de:

  • participações financeiras
  • aplicações
  • propriedades de investimento

Consequentemente, receitas de aluguel, ganhos ou perdas por valorização ou desvalorização também entram neste grupo.

Financiamentos

Essa categoria agrupa receitas e despesas relacionadas a passivos financeiros. Por exemplo:

  • empréstimos
  • arrendamentos
  • variação cambial
  • juros
  • obrigações financeiras de planos de aposentaria

Tributos sobre o lucro

Permanece semelhante ao CPC 32, sem grandes alterações estruturais.

Operações descontinuadas

Contempla resultados de operações classificadas para venda ou encerradas, conforme CPC 31.

Dessa forma, o usuário final passa a entender com mais precisão o que é performance operacional e o que é efeito financeiro, tributário ou extraordinário.

Regras mais rígidas para métricas gerenciais

O IFRS 18 também impõe limites mais claros para a apresentação de métricas de desempenho gerencial. Assim:

  • qualquer indicador alternativo precisa ser conciliado com métricas IFRS
  • a metodologia adotada deve ser explicitada
  • a empresa deve justificar por que utiliza aquele indicador

Consequentemente, relatórios se tornam mais confiáveis, reduzindo interpretações criativas ou pouco transparentes.

Benefícios da mudança

Embora a adaptação exija esforço, ela traz benefícios significativos. Entre eles:

  • maior clareza para investidores
  • melhor compreensão dos resultados reais
  • redução de subjetividade
  • previsibilidade e alinhamento com padrões globais

Além disso, empresas que começarem a transição mais cedo terão vantagem competitiva, pois conseguirão ajustar processos com mais calma e minimizar retrabalhos.

Conclusão

De maneira geral, o IFRS 18 moderniza e eleva o padrão de apresentação dos resultados financeiros. Entretanto, sua implantação exige tempo, planejamento e capacitação. Por isso, empresas que se anteciparem ao prazo obrigatório terão uma transição mais segura e eficiente, além de fortalecer sua credibilidade diante do mercado.

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Adriel Pozzan

Sócio gerente
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